Epilepsia é uma doença neurológica muito comum, cerca de 7 pessoas a cada 100.000 pessoas no mundo tem ou terá a doença. A epilepsia ocorre naquele cujo cérebro possui uma predisposição a ter crises epilépticas (popularmente conhecidas como convulsão).
Costumo dizer que o cérebro já nasce com uma região de “faísca” e a manifestação clínica (os sintomas) é o fogo. Na maioria das vezes, essa predisposição é genética daquela pessoa, ou seja, não necessariamente é passada de geração em geração, mas sim, o histórico familiar aumenta as chances de ter epilepsia.
A doença é bem diversa, existem muitas classificações e tipos, que dependem das manifestações clínicas, da idade de início e dos achados no eletroencefalograma. A classificação correta da epilepsia auxilia e muito na escolha correta do medicamento. Em relação ao diagnóstico, a anamnese é essencial, ou seja, definir se o evento foi realmente uma crise epiléptica e não um desmaio por pressão baixa, por exemplo. Os exames complementares mais solicitados são o eletroencefalograma (EEG), que pode nos mostrar a região de “faísca”, que vem escrito como atividade epileptiforme ou paroxismos ou transientes. Vale lembrar que o EEG pode ser normal em muitas ocasiões e isso não exclui o diagnóstico de epilepsia, porém quando vem alterado corrobora e muito para confirmar o diagnóstico. A ressonância magnética de crânio auxilia no diagnóstico de epilepsia secundária a alguma alteração estrutural, por exemplo, um tumor cerebral ou uma área de cicatriz de uma AVC prévio.
No que diz respeito ao tratamento, existem muitas medicações disponíveis atualmente. A escolha de uma delas deve ser feita entre médico e paciente, pesando o tipo de epilepsia, a idade, outras doenças e outros medicamentos que já utiliza e, claro, efeitos colaterais possíveis.
A maioria das pessoas apresentam excelente controle da doença com apenas um único medicamento e controle dos gatilhos. Em relação aos gatilhos, os mais comuns e precisam ser evitados ao máximo, são a privação do sono, uso exagerado de álcool, uso de drogas ilícitas e estresse emocional. Outras opções de tratamento disponíveis são os cirúrgicos, que incluem neurocirurgia e implante de estimulador do nervo vago, mas a indicação destes tratamentos deve ser feita pelo especialista no momento apropriado.
Texto: Dra. Ana Carolina Andrade – Neurologista – CRM 40.907/ RQE 29.974 – Epilepsia, Doenças Autoimunes, Neurogenética.




